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Os centros de incubação de empresas como instrumentos de desenvolvimento económico.
Tendo em conta os números do desemprego nacional, e em particular o desemprego qualificado (jovens licenciados, quadros oriundos de falências ou reestruturações e deslocalizações de empresas), a saturação do funcionalismo público, as taxas muito moderadas de crescimento da economia, a disponibilidade de investigadores, a estagnação ou decrescimento de alguns sectores de actividade tradicionais, o surgimento de nichos de novas oportunidades que as grandes empresas não conseguem chegar, a necessidade de incorporação de novas restrições legais, assim como, novos conceitos, metodologias e tecnologias inovadoras essenciais a um mercado cada mais exigente e alargado, urge criar condições que favoreçam a criação e desenvolvimento de empresas inovadoras.
Há contudo aspectos inultrapassáveis muitas vezes – o custo de entrada num negócio, os custos fixos inerentes à actividade de uma empresa, a limitação de actuação num mercado abrangente nacional e internacional, assim como o seu financiamento.
É necessário que as diversas entidades nacionais, poder local, associações empresariais e universidades, assumam as suas responsabilidades na criação de uma rede de estruturas – incubadoras de empresas - de apoio ao empreendedorismo, particularmente aquele que foi identificado como o mais premente para o desenvolvimento do nosso País – o empreendedorismo que incorpore inovação.
Estas incubadoras deverão apoiar a criação e ou desenvolvimento de empresas, disponibilizando para isso ao empresário, sem qualquer investimento fixo, condições idênticas a uma empresa madura no mercado, num mix entre espaço mobilado, infra-estruturado e equipado para alojar essas empresas, serviços administrativos de apoio ao quotidiano dos empreendedores (secretariado, rede de comunicações voz e dados), assim como serviços de tutoria à gestão das empresas, apoio no processo de internacionalização, proporcionando por inerência à coexistência num mesmo espaço de várias entidades uma rede de sinergias entre empresas jovens e empresas mais maduras. Aqui surge o conceito de centro de negócios, que incorpore incubadora de empresas inovadoras.
Estas incubadoras deverão ter uma componente formativa de apoio ao empreendedorismo, capacitando os empreendedores das ferramentas necessárias para vencer as dificuldades que irão com certeza encontrar, na criação ou gestão da empresa, aliada a uma rede de consultores / tutores experientes que sejam capazes de capacitar os gestores das empresas incubadas ou reforçar as suas competências em áreas novas como internacionalização.
Estas incubadoras deverão interagir, associando-se numa rede de incubadoras, por forma a que uma empresa esteja sediada não num único espaço, mas numa rede de espaços e infra-estrutura tecnológicas, recursos e consultoria partilhadas. Proporcionando assim, uma fluidez e agilidade dessa empresa num mercado alargado, notoriedade, agilidade a custos moderados e variáveis, vencendo a dimensão dos mercados locais e até a interioridade.
Mas, cada uma destas redes de estruturas terá que ser necessariamente geridas por quem tem experiência em capacitar os empreendedores, em apoiar a criação de startups, em realizar a tutoria destes empreendedores.
Associadas a cada uma destas redes de incubadoras terão que existir entidades que promovam o investimento em capital de risco, em projectos de elevado potencial de crescimento, funcionando como elemento deflagrador desse crescimento. Financiamento de projectos entre os 5.000 e os 200.000 euros, não enquadráveis nos produtos financeiros correntes, meios para encetar os seus projectos.
Assim, e com vista a dotar esta iniciativa de capital intelectual, estas entidades deverão dispor de conselho consultivo que deverão dar apoio, avaliar e apoiar as boas ideias que lhes sejam apresentadas. Estes conselhos consultivos deverão ser formados por pessoas ou entidades de relevo em termos nacionais e internacionais.
De igual modo, acoplados aos centros de incubação deverão estar centros de negócios de empresas com créditos afirmados, que funcionem como empresas âncora das empresas incubadas, proporcionando suportar parte dos custos do centro de incubação, aumentando da rentabilidade dos centros de incubação, e proporcionando sinergias naturais entre todas empresas.
Nos projectos em que estamos envolvidos, designadamente no planeamento, construção e gestão de centros de negócios e incubadoras de empresas, constatamos a existência de um elevado número de empresas inovadoras altamente receptivas e carentes destes espaços. No entanto, essas empresas não têm ao dispor as infra-estruturas necessárias. Nas empresas inovadoras e intensivas em conhecimento, os capitais próprios não abundam, e os capitais alheios têm receio de financiar imateriais. Razão que explica porque é que a existência de infra-estruturas adequadas pode alavancar fortemente empresas que doutra forma teriam necessariamente maior propensão para a mortalidade precoce ou para limitações – físicas – ao crescimento. Assim, nunca é demais relembrar que em Portugal estamos ainda a criar uma rede, ainda incipiente de incubadoras e de parques de ciência e tecnologia, enquanto que em Espanha e só em parques de ciência e tecnologia são já cinquenta e cinco! São estas auto-estradas das empresas do futuro que urge potenciar e aproveitar, para termos empresas de elevado crescimento e uma economia reconvertida para os desafios do século XXI. |